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O sul foi a porta de entrada dos primeiros exploradores de Minas,
já no final do século XVI. Eles procuravam ouro, pedras e índios.
As águas da região não foram suficientes para arrefecer a sede e
a ambição dos primeiros mineiros. Ironicamente seriam usadas, séculos
mais tarde, para trazer alívio aos viajantes, que não procuravam
mais ouro, e sim e tão somente o bem-estar.
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A história de Cambuquira se confunde com a das
outras cidades do Circuito das Águas. O achamento das fontes,
fator preponderante para surgimento de aglomerações urbanas,
se dava por acaso. Pouco a pouco seus descobridores percebiam
que aquelas seivas, que vertiam da terra, não serviam apenas
para saciar a sede, mas também para curar o corpo. No caso
específico de Cambuquira, existia ali, provavelmente na primeira
metade do século XIX, a fazenda Boa Vista, vasta propriedade
que pertencia a três irmãs solteiras: Ana, Joana e Francisca
da Silva Goulart. Como não tinham herdeiros diretos, deixaram
as terras para os escravos. A parte central da fazenda coincide
hoje com área urbana de Cambuquira.
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Descoberta a especialidade das fontes, um surto tomou
conta da região, que mais tarde seria denominada "Circuito das Águas".
Numa época de poucos remédios a esperança de cura nas águas milagrosas
fervilhava. O movimento lembrava um pouco, resguardando as devidas
proporções e ambições, o descobrimento das minas de ouro mais ao
norte, na região de Sabará, Mariana e Ouro Preto. A notícia corria
rápido. Em vez de enriquecer, as pessoas que visitavam o sul do
estado procuravam mais saúde e qualidade de vida. Ainda hoje é assim...
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Os escravos, donos legítimos daquele solo, opuseram-se
com fervor à chegada dos forasteiros. Temiam perder a posse
da fazenda, o que acabaria acontecendo em 1861, com a desapropriação
decretada pela Câmara Municipal de Campanha, vila que tinha
jurisdição sobre as terras. Com os 800 mil réis que receberam
de indenização os escravos compraram novo terreno no local
conhecido como Marimbeiro.
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Cambuquira, como as outras cidades do Circuito das Águas,
teve sua fase áurea como balneário na primeira metade do século
XX. Era comum a visita de personalidades e importantes competições
tiveram a cidade como palco. Muito desta época pode ser revivido
num passeio pelo centro, com as construções ecléticas e portentosas
dos antigos hotéis, alguns desativados.
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O nome Cambuquira vem do tupi-guarani CAÀ-AMBYQUIRA,
onde CAÀ significa folhas, plantas, mato e AMBYQUIRA (A-BY-QUIRA)
brotado, grelado. Juntando-se os vocábulos chega-se à tradução
"erva grelada", "mato grelado". Somente para ilustrar: o broto
da aboboreira era um alimento muito apreciado e comercializado
pelos primitivos habitantes da região.
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