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Enquanto as vilas e arraiais auríferos eram relativamente
próximos uns dos outros - Ouro Preto, Sabará e Mariana, por exemplo
-, Diamantina reinava ofuscante mais ao norte. Este isolamento
fez da cidade um lugar de expressões originais, mais abrangentes.
Em suas casas, ruas e igrejas pode-se ler sobre uma sociedade
diferente, diversificada, festiva e opulenta.
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A arquitetura colonial diamantinense é o resultado
de uma mistura entre portugueses, escravos e dos muitos
aventureiros. Num passeio a pé pelo centro histórico é fácil
perceber isso. Histórias fascinantes, de uma sociedade moralista,
podem ser esconder por detrás dos muxarabiês. São treliças
de madeira de influência árabe. Digamos que era o vidro-fumê
da época. Quem estava dentro via o que se desenrolava lá
fora, sem que o contrário acontecesse. Passando em frente
à mansão setecentista de Chica de Silva imaginamos que ela
pode estar ali, nos observando através do seu muxarabiê.
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O muxarabiês escondiam segredos, mentiras e um quê
de falsa moralidade. Mas há na cidade inequívocos sinais de demonstração
de poder. O maior deles é a Igreja N. Sra. do Carmo. Erguida entre
1760 e 1765, é ícone da ostentação. A pintura é de autoria de
José Soares de Araújo, comparado a Mestre Ataíde por sua genialidade.
A capela-mor tem cenas em perspectiva, as primeiras do Brasil.
O órgão, confeccionado no próprio arraial (uma proeza) tem detalhes
em ouro.
Somente um homem tinha poder e dinheiro em Diamantina,
naqueles idos de 1760: o contratador João Fernandes de Oliveira.
Chica da Silva, a escrava negra que virou rainha, fez história.
Amante do contratador, alterou os padrões da arquitetura religiosa,
ao exigir que a torre fosse construída nos fundos, e não na frente
da igreja. O repique dos sinos a "incomodava", assim como ela
(Chica da Silva) "incomodava" a alta sociedade local. Pelo menos
é o que diz a lenda.
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Continuando pelo centro histórico há a rua da
Quitanda, antigo ponto de venda de quitudes. Junto com o
Beco do Mota é o ponto mais fervilhante da cidade, palco
da cultura e da musicalidade diamantinenses. Compõem um
cenário alegremente colonial. O entorno da catedral de Santo
Antônio tem preciosidades arquitetônicas. O Museu do Diamante,
a Casa do Intendente Câmara e a Casa da Intendência (1733)
chamam a atenção. Descendo o largo está a praça JK. Merecem
destaque o Casarão do Fórum e a igreja São Francisco de
Assis. Subindo a rua São Francisco, está a casa onde nasceu
o ex-presidente Juscelino Kubitschek, filho mais ilustre
da cidade. A arquitetura da casa é singela, do século XIX.
Um pouco mais afastados estão o largo do Rosário
e a rua da Glória. A igreja N.Sra. do Rosário pertencia
a uma ordem de negros, assim como em outras cidades mineiras.
É de 1731; mais antigo templo de Diamantina. Na rua da Glória
está o cartão-postal da cidade: a Casa da Glória. São duas
contruções, erguidas em épocas diferentes, ligadas por um
passadiço coberto, inspirado na Ponte dos Suspiros, de Veneza
(Itália). A passagem foi contruída na época em que os dois
prédios pertenciam às irmãs vicentinas (1887), permitindo
a travessia da rua com discrição. Bem antes disso uma das
casas foi propriedade da Coroa e depois de Josefina Maria
da Glória (razão do nome).
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É enorme o acervo de Diamantina, servindo de inspiração
para arquitetos modernos, como Niemeyer. O Mercado Municipal,
antigo pouso de tropeiros, teria inspirado o desenho do pilotis
do Palácio do Alvorada, residência oficial do presidente da República,
em Brasília. Por estas e muitas outras características, Diamantina
é uma cidade para ser visitada a pé, sem pressa e com a sutileza
de um muxarabiê.
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