Os índios botocudos guiaram os primeiros exploradores
pela região, em busca de ouro. Minas ainda não tinha revelado
todo o seu fascinante mundo dourado quando, em 1714, pequeninas
pedras brilhantes foram encontradas no Arraial do Tijuco. Preciosas
e raras. O diamante até então só era encontrado nas Índias. Dá
para compreender o rebuliço que a descoberta não causou na época.

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De distante povoado o Arraial do Tijuco passou
a centro do Distrito Diamantino (1730). Isso quer dizer
que era governado sob um regime especial e isolado do restante
das Minas Gerais. A Coroa portuguesa resolveu agir. Extinguiu
a livre extração em 1740. Nasce a figura do contratador,
a quem a realeza concedia o direito de explorar as lavras.
Estes poucos homens tinham um enorme poder e influência;
determinavam o ritmo de vida na região, da contratação de
escravos ao mero posicionamento da torre de uma igreja.
Estava montado o cenário para um dos mais lendários
romances de Minas Gerais. Chica da Silva, dizem, era uma
negra muito bonita, que fascinou o homem mais rico do Arraial
do Tijuco, o comerciante de diamantes João Fernandes de
Oliveira. Havia quem falasse que tinha fortuna maior que
a do rei de Portugal. "A escrava que se fez rainha": assim
ficou impregnada a imagem de Chica no imaginário popular.
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Para ela o contratador mandou construir uma casa de
21 cômodos, onde viveram provavelmente de 1755 a 1770. Tiveram
13 filhos. Apesar de rica, Chica era rejeitada pela alta sociedade.
Considerada uma "devassa", não podia frequentar os templos tradicionais.
Anexa à mansão de Chica foi construída uma capela, dedicada à
Santa Quitéria, talvez para seu uso privativo.
Há contudo quem duvide desta imagem de Chica da Silva.
O casamento estável com um nobre branco e o fato de ter sido enterrada
no cemitério da igreja de São Francisco de Assis (destinado aos
brancos ricos) provam sua projeção e aceitação na comunidade do
Tijuco. Um episódio interessante diz respeito à igreja N.Sra.
do Carmo (1765), cuja construção foi patrocinada por João Fernandes.
Reza a lenda que Chica exigiu - caprichosamente - que a torre
fosse erguida atrás da igreja, para que o repicar dos sinos não
chegassem com tanto vigor a sua casa, distante uns 200 metros.
Detalhe: a Ordem N.Sra. do Carmo era composta pelas pessoas de
pele branca.
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Pedras preciosas, junto com o ouro, deixavam
os portos do Rio de Janeiro. Os navios vinham de Portugal
carregados com pedras comuns, que serviam como lastro. Voltavam
com ouro e diamantes. Ficavam as pedras comuns como pagamento.
A mineração no Tijuco crescia. As fraudes e o contrabando
nas lavras fez com que a Coroa interviesse diretamente.
Isto ocorreu em 1771, quando foi decretada a "Real Extração",
que se estendeu até 1835. Os contratadores foram substituídos
pela figura do intendente, com seu odiado "Livro da Capa
Verde", que lhe dava plenos poderes. Ficou famoso Manoel
Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá, conhecido como Intendente
Câmara. Seus conhecimentos permitiram a modernização do
garimpo. Foi sua também a implantação da primeira usina
de ferro do Brasil.
Ao contrário do Ciclo do Ouro, que declinou no
final do séc. XVIII, o Ciclo do Diamante manteve sua exuberância
por mais tempo. Ainda em 1831, ano em que o arraial passou
a se chamar Vila Diamantina, a extração e comércio de diamante
originava grandes riquezas. Teve espaço a elite mais requintada
de Minas Gerais, enquanto as cidades do ouro amarguravam
a exaustão de suas jazidas.
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Festas, o gosto pela música e pelo teatro. Diamantina
é uma cidade festiva, musical. A opulência do lugar impressionou
viajantes, como Saint Hilaire, Spix, von Martius e Richard Burton.
Esta situação não duraria para sempre. Em 1860, com a descoberta
de fabulosas jazidas na África do Sul, o preço do diamante despencou.
Começava um período de decadência, coincidindo com a diminuição
das reservas diamantíferas.
Diamantina foi a maior lavra de diamantes do mundo
ocidental no séc. XVIII. Foram aproximadamente três milhões de
quilates, uma fortuna astrônomica. Os diamantes perfeitos eram
chamados de "estrelas". Por isso é fácil aceitar que o céu de
Minas refletia os diamantes do Tijuco.

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