Itanhandu é um refúgio, seja em tempos
de paz ou de guerra. O desafio de vencer as montanhas traz alento
e segurança àqueles que conseguem transpor sua altivez.
Foi assim com os primeiros bandeirantes que alcançaram
Minas Gerais, o mesmo acontecendo aos tropeiros e intermináveis
viajantes.
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Corria o final do século XVI quando foram
ouvidos os primeiros passos dos exploradores europeus. Tudo
era novo e desconhecido para esses homens rudes, que rasgavam
impiedosamente a magnífica Mata Atlântica.
Surgia o primeiro caminho ligando o litoral a uma terra
rica em ouro e pedras preciosas, hoje chamada Minas Gerais.
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O Caminho Velho passava por Itanhandu. Foi usado para
escoar o ouro e outras riquezas de Minas para o porto de Parati,
no Rio de Janeiro. Já na primeira metade do século
XVIII havia no local um pequeno povoado, cercado por algumas fazendas.
Surgiria mais tarde um arraial, denominado Barra do Rio Verde.
Foi-se o ouro - cujas minas estavam praticamente exauridas no
final do século XVIII, mas o movimento nunca cessou. Mesmo
o surgimento do Caminho Novo (passando pelas cidades de Petrópolis,
Juiz de Fora e Barbacena) não diminuiu o trânsito.
A velha estrada continuava sua história no vai-e-vem dos
tropeiros que abasteciam o intenso comércio mineiro.
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Em 1884 a inauguração da Estrada
de Ferro Minas-Rio, última grande obra do império,
trouxe um novo impulso à região. Uma das estações
ficava em Itanhandu e no seu entorno surgiram novas residências.
A indústria floresceu, trazendo um desenvolvimento
nunca visto. Naquela época era intensa a procura
pelo poder curativo das fontes do "Circuito das Águas"
(Caxambu, São Lourenço, Cambuquira e Lambari).
O nome Itanhandu foi oficializado em 1904. Dezenove anos
depois o local conquistaria sua independência administrativa.
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Dois fatos históricos ficaram marcados na história
de Itanhandu: a Revolução de 1930 e a de 1932. Ambas
foram de curta duração, entretanto mudaram os rumos
do país. A primeira deu o poder a Getúlio Vargas,
candidato derrotado à presidência, alegando fraudes
no processo eleitoral, dominado por velhas oligarquias. De São
Paulo eclodiu o movimento de 32, exigindo o fim do governo provisório
de Vargas e a convocação de novas eleições.
Nos dois acontecimentos a cidade ficava exposta a conflitos armados
entre Minas e São Paulo, em vista de sua posição
estratégica de fronteira. Toda a população
era retirada e as luzes apagadas à noite. Dos combates
de 32 participou um jovem tenente médico, futuro governador
de Minas e presidente do Brasil. Juscelino Kubitschek declararia
mais tarde a amigos: "minha carreira política começou
em Itanhandu".

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