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Texto: Marcelo JB Resende
Fotografias (exceto as creditadas): Lique
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Um vento frio corta um pedaço especial
de serras da Zona da Mata Mineira. Junto com os primeiros
raios de sol ajudam a dissipar uma densa névoa, revelando
paisagens de tirar o fôlego do mais experiente viajante.
é assim durante quase todo o ano em Ibitipoca, um
pequeno e dos mais belos parques de Minas. Lá fendas
se abriram pela força dos ventos e das águas.
A natureza foi primorosa, cobrindo com uma rica fauna e
flora o que já era um éden geográfico.
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Lima Duarte é o portão de entrada
para este paradisíaco recôndito mineiro. A
cidade foi brindada por uma excepcional natureza. Repousa
em um relevo que parece ter sido desenhado à mão,
onde águas despencam em incontáveis cachoeiras.
Um lugar em especial merece destaque dentro deste mosaico.
Seu nome: Parque Estadual de Ibitipoca. Se Lima Duarte é
o portão de entrada, cabe a Conceição
de Ibitipoca dar as boas vindas. Por muito tempo parado
no tempo, o distrito é um dos mais antigos povoados
de Minas. Primeiro viveu do ouro, depois da agricultura,
agora chegou a vez do turismo. Pouco a pouco este pequeno
lugar é tomado por pessoas ávidas em saborear
e desvendar seus mistérios e belezas. Com pouco mais
de cem construções, Conceição
de Ibitipoca vai ganhando novos contornos. São novas
pousadas, restaurantes e afins. A situação
preocupa pela forma desordenada de ocupação
do solo. A comunidade de Ibitipoca percebeu isto e já
começou a se organizar para melhor receber o turista,
buscando ao mesmo tempo a preservação do rico
acervo cultural e natural da região.
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Visto de cima o parque tem um formato que lembra o
de uma ferradura. Sorte dos visitantes, que têm a sua disposição
1.488 hectares de pura descoberta. São cachoeiras, grutas,
lagos, corredeiras, cânions e fabulosos mirantes, destacando-se
o do Pico do Pião (1762m) e o da Lombada (1784m), este
último o ponto mais elevado de Ibitipoca. Dividindo a bacia
do rio Grande e a do Paraíba do Sul, a serra é berço
de diversas nascentes. Os ribeirões Bandeira, da Conceição
e o córrego do Pilar, além dos rios do Salto e Vermelho,
serpenteiam pelas encostas, proporcionando um espetáculo
à parte.
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O rio Vermelho é, sozinho, responsável
por uma visão de sonho, a Janela da Céu. A
sensação ali é de poder tocar o horizonte.
Ele parece estar a poucos metros. Ali a terra encontra o
céu! Já o rio do Salto forma uma extensa sucessão
de cachoeiras, esculpindo preciosidades como a Ponte de
Pedra, um túnel natural que pode ser percorrido por
cima ou por dentro. A serra tem um nome gostoso de pronunciar,
que flui espontâneo como suas águas. Foram
os índios Aracis (ou Araris), os primeiros habitantes
deste éden, que melhor definiram Ibitipoca. No tupi-guarani
ibi significa "pedra" e oca "casa, montanha partida". Pode-se
interpretar ainda ibitu (ventania) e pug (estrondo). Nada
mais oportuno.
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Ibitipoca é a serra da ventania, uma fenda retorcida,
uma acolhedora casa de pedra, que explode suas belezas aos olhos
de seus apreciadores. Conhecer este lugar mineiro é caminhar
muito, se esvaindo e se enchendo da água e demais essências
da natureza.
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