Pelo próprio nome, Ibitipoca (fenda retorcida)
já sugere ser um local repleto de grutas. Isto não
deixa de ser a mais pura verdade. São dezenas, a maior
parte delas fechada à visitação. Estas reentrâncias
naturais nas pedras serviram de abrigo para os primeiros habitantes
conhecidos, os índios Aracis (ou Araris).
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O pouco que se sabe deles é que eram relativamente
pacíficos, o que contribuiu para seu desaparecimento
quando da chegada dos mineradores. Da mineração
surgiria, no final do séc. XVII, o lugarejo de Conceição
de Ibitipoca. Os relatos mais antigos dizem respeito à
bandeira do padre João de Faria Fialho, de Taubaté
(SP), que registrou a passagem pelo monte de "Ebitipoca"
em seu roteiro de viagem pelas minas de ouro (1692). Em
1764 o lugarejo, que durante muitos anos foi um dos mais
importantes de Minas, recebeu a visita do governador da
capitania.
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A igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
de Ibitipoca serve como marco na história do distrito.
Provavelmente começou a ser construída em 1692.
Em sua fachada consta o ano de 1768, que podemos deduzir como
a data da sua conclusão. O fim do ciclo do ouro determinou
o começo de um longo período de estagnação
econômica para Ibitipoca, que viu sua população
cair consideravelmente. O distrito começou a viver da agricultura,
uma atividade pouco rentável devido à má
qualidade do solo para o plantio. Mesmo sem o ouro, Ibitipoca
continuou sendo visitada por diversas expedições
científicas. No séc. XIX o naturalista francês
Auguste de Saint-Hilaire, em suas incursões pelo Brasil,
esteve em Ibitipoca e ficou impressionado com o que viu. Sua admiração
veio seguida de um lamento, já que estava marcada sua viagem
de volta a Paris. "A vista dos belos campos que se apresentam
hoje aos meus olhares, não pude deixar de sentir verdadeiro
aperto de coração, pensando que logo os deixarei
para sempre." As expedições científicas acontecem
até hoje, comprovando a importância ecológica
da serra.
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Além de servirem aos índios, as
grutas de Ibitipoca também foram abrigo para os muitos
viajantes que perambularam por Minas em diferentes épocas.
A gruta dos Viajantes é um bom exemplo disso. Outro
lugar interessante é a gruta do Fugitivo, que possui
um grande espaço interno. Em 1912 foram encontradas
perto dela as ruínas de um antigo refúgio
de escravos. Acredita-se que existiam vários na serra,
formados por negros fugidos dos engenhos de açúcar
da região. Negros também são os andorinhões-de-coleira-falha,
uma espécie de pássaro migratório que
hoje utiliza a gruta. Eles viajam milhares de quilômetros,
vindos da América do Norte, até chegarem a
Ibitipoca. Têm bom gosto, vale a pena a longa jornada.
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O pico do Pião e o Cruzeiro são pontos
turísticos que revelam um pouco da religiosidade do povo
de Ibitipoca. O morro do Cruzeiro é um local de peregrinação,
além de um excelente mirante, de onde se tem uma vista
frontal da Lombada. A capela do Senhor Bom Jesus da Serra, próxima
ao Pião, foi construída na década de 30,
motivada pela realização de uma missa que reunira
ali todo o povo da região. Talvez devido ao difícil
acesso a igreja acabou abandonada e entregue à ação
poderosa dos ventos, das chuvas e dos raios. Hoje existem apenas
ruínas, que servem como exemplo da força natural
que esculpiu as rochas da serra. O templo, mesmo abandonado, foi
usado pela Igreja em sua tentativa de se apoderar das terras,
então devolutas, na época da criação
do parque estadual.
Em 1965 foi iniciado o processo de demarcação
de toda a região. Um levantamento preliminar indicou que
Ibitipoca não tinha vocação para agricultura,
pecuária e mineração. O caminho encontrado
foi o turismo, tendo em vista seu alto potencial natural. No primeiro
semestre de 1973 foi criado o parque estadual, para o deleite
de aventureiros de todas as partes do Brasil e do mundo. Em épocas
de alta temporada, Ibitipoca chega a receber mais de 2 mil visitantes,
num único fim de semana.
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