Circuito do Ouro 
onde ficar
cidades

As cidades abaixo fazem parte desse circuito. As marcadas já têm matéria na Revista Idas Brasil.
 
- Ouro Preto
- Mariana
- Congonhas
- Sabará
- Ouro Branco
- Itabirito
- Santa
  Bárbara
- Santa Luzia
- Caeté
- Nova Lima
- Belo Vale
- Raposos
- Catas Altas
- Barão de
  Cocais
- Bom Jesus
  do Amparo
- Itabira
  - São
  Gonçalo do
  Rio Abaixo
- Rio Acima


Texto e fotografia: Marcelo JB Resende

Existem lugares onde tudo tem início, nos quais homens fixam raízes e começam a escrever uma história. Transformam o mundo e também a si mesmos. O Estado de Minas Gerais, como o conhecemos hoje, nasceu às margens de um formoso ribeirão, em uma cidade com vocação para o fascínio e para o poder. Mariana, a primeira capital de Minas, é um desses lugares, onde tudo começou...


Os primeiros desbravadores de Minas deslumbravam-se com o que iam descobrindo pelo caminho. Talvez por fé ou falta de criatividade foram batizando cada recanto descoberto com nomes de santos, ao sabor dos calendários. Ribeirão do Carmo não fugiu a esta regra. O nome se deve ao dia de consagração de Nossa Senhora do Carmo. Seria fundado ali, já em 1703, um arraial que teria função estratégica no jogo de poder estabelecido pelo ouro.

Mariana é hoje uma das mais importantes cidades do Circuito do Ouro. Guarda, junto com seus distritos, interessantes relíquias do tempo em que começou a ser desenhada a história das Minas Gerais. No séc. XVIII surgiu nas montanhas o primeiro Estado com características modernas do Brasil, contrastando com a estrutura inerte das fazendas de engenho do litoral. Administração burocrática, fiscalização e arrecadação de impostos...

Além disso uma sociedade complexa e bastante democrática para os moldes da época. Em Minas escravos podiam se tornar senhores, algo até então impensável. Bastava para isto encontrar sua pepita, ou saber se aproveitar das carências do mercado consumidor emergente. Escultores, carpinteiros, ferreiros e demais profissionais eram bem-vindos. A mobilidade social não era fácil, mas existia uma brecha.

  Órgão Arp Schnitger, da primeira década do séc. XVIII.
Órgão Arp Schnitger, da primeira década do séc. XVIII.

Igreja São Francisco de Assis (1762)

Igreja Santana (1720)

O sonho impulsionou a migração. Para Minas convergiam pessoas das mais diferentes índoles e intenções, que passaram a viver num incipiente mundo sem lei. Surgiram os conflitos, o primeiro e mais conhecido foi a Guerra dos Emboabas (ver "Falando sobre Minas"). Era preciso colocar ordem no caos. A mando da Coroa mudou-se para Minas o Capitão General Antônio de Albuquerque, nomeado governador. O arraial do Ribeirão do Carmo foi escolhido para ser a sede do governo.

São Francisco de Assis, pintura de Mestre Ataíde Museu Alphonsus de Guimaraens
Praça Gomes Freire
 

Em 1745 a Vila do Ribeirão do Carmo, não mais arraial, foi elevada à condição de cidade, rebatizada Mariana. Era uma homenagem a D. Maria Ana D'Austria, esposa de D.João V. Mesmo assim Mariana, no dicionário histórico de Minas Gerais, significa também "primeira". Argumentos não faltam: primeira vila, capital, cidade projetada e sede de bispado... Gerou e projetou talentos como Manuel da Costa Ataíde (pintor sacro), Cláudio Manuel da Costa (poeta e inconfidente), Frei Santa Rita Durão (autor do poema "Caramuru"), Padre Joaquim da Rocha (inconfidente)...


Rua Direita, no centro histórico da cidade. Ao fundo está a catedral

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