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Texto e fotografia: Marcelo JB Resende
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Existem lugares onde tudo tem início,
nos quais homens fixam raízes e começam a escrever
uma história. Transformam o mundo e também a
si mesmos. O Estado de Minas Gerais, como o conhecemos hoje,
nasceu às margens de um formoso ribeirão, em
uma cidade com vocação para o fascínio
e para o poder. Mariana, a primeira capital de Minas, é
um desses lugares, onde tudo começou...
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Os primeiros desbravadores de Minas deslumbravam-se
com o que iam descobrindo pelo caminho. Talvez por fé
ou falta de criatividade foram batizando cada recanto descoberto
com nomes de santos, ao sabor dos calendários. Ribeirão
do Carmo não fugiu a esta regra. O nome se deve ao
dia de consagração de Nossa Senhora do Carmo.
Seria fundado ali, já em 1703, um arraial que teria
função estratégica no jogo de poder estabelecido
pelo ouro.
Mariana é hoje uma das mais importantes
cidades do Circuito do Ouro. Guarda, junto com seus distritos,
interessantes relíquias do tempo em que começou
a ser desenhada a história das Minas Gerais. No séc.
XVIII surgiu nas montanhas o primeiro Estado com características
modernas do Brasil, contrastando com a estrutura inerte das
fazendas de engenho do litoral. Administração
burocrática, fiscalização e arrecadação
de impostos...
Além disso uma sociedade complexa e bastante
democrática para os moldes da época. Em Minas
escravos podiam se tornar senhores, algo até então
impensável. Bastava para isto encontrar sua pepita,
ou saber se aproveitar das carências do mercado consumidor
emergente. Escultores, carpinteiros, ferreiros e demais profissionais
eram bem-vindos. A mobilidade social não era fácil,
mas existia uma brecha.
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O sonho impulsionou a migração. Para Minas
convergiam pessoas das mais diferentes índoles e intenções,
que passaram a viver num incipiente mundo sem lei. Surgiram os conflitos,
o primeiro e mais conhecido foi a Guerra dos Emboabas (ver "Falando
sobre Minas"). Era preciso colocar ordem no caos. A mando da Coroa
mudou-se para Minas o Capitão General Antônio de Albuquerque,
nomeado governador. O arraial do Ribeirão do Carmo foi escolhido
para ser a sede do governo.

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Em 1745 a Vila do Ribeirão do Carmo, não
mais arraial, foi elevada à condição
de cidade, rebatizada Mariana. Era uma homenagem a D. Maria
Ana D'Austria, esposa de D.João V. Mesmo assim Mariana,
no dicionário histórico de Minas Gerais, significa
também "primeira". Argumentos não faltam: primeira
vila, capital, cidade projetada e sede de bispado... Gerou
e projetou talentos como Manuel da Costa Ataíde (pintor
sacro), Cláudio Manuel da Costa (poeta e inconfidente),
Frei Santa Rita Durão (autor do poema "Caramuru"),
Padre Joaquim da Rocha (inconfidente)...
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