|
Com a transferência da capital da província
para Vila Rica, Mariana entrou em relativa decadência.
A medida mais importante para reverter este quadro foi sua
escolha para sede do Bispado de Minas Gerais. Sua criação
ia de encontro a outro objetivo: organizar a atividade religiosa,
coibindo os atos abusivos do clero. Isto acontecia pela distância
do Rio de Janeiro, a cujo Bispado estava ligado. Muitos padres
se ocupavam mais em encher os próprios bolsos do que
em converter almas pagãs. Alguns se enriqueciam mais
que os delegados da Coroa.
|
|
|
A Vila do Ribeirão do Carmo foi elevada
à cidade para receber o bispo. A condição
gerou a necessidade de planejamento. Novas ruas e traçados
conscientes. Aos majestosos prédios públicos
e privados somariam-se as igrejas, fabulosas. Os rumos de
Mariana passaram a ser ditados pela fé. Em Minas Gerais
era proibido o estabelecimento de ordens religiosas. Sendo
assim os padres eram todos seculares, ou seja, não
tinham feito o voto monástico. A província aos
poucos presenciava o florescer das Ordens Terceiras ou irmandades.
Toda a população mineira, sem exceção,
filiou-se a essas confrarias. A sociedade se dividia em brancos,
pardos, negros e suas respectivas irmandades.
|
|

 |
Não demorou muito para que estas instituições
se combatessem, já que eram independentes como organizações
civis. Os padres foram reduzidos a meros empregados. Regras segregavam
os negros dos brancos, pardos dos brancos, negros dos pardos...
Esse clima de hostilidade impulsionaria a arquitetura mineira, campo
esplêndido para exercer a rivalidade. Cada qual procurava
construir a igreja mais bonita, mais fabulosa. Simbolizavam na sua
grandiosidade o prestígio que desfrutavam. Contratavam mestres,
elevavam a arte aos céus.
|
|
Mariana foi um dos palcos privilegiados da árdua
disputa. As ricas irmandades do Carmo e de São Francisco
levantaram suas igrejas a poucos metros uma da outra. Já
as irmandades das Mercês e do Rosário, ambas
de homens pretos, foram empurradas para lugares distantes
da praça principal. Nem por isso são menos belas.
|
O conjunto arquitetônico da primeira cidade de
Minas foi desenhado pelo poder do ouro, do Estado e da fé.
Em suas paredes, tetos e ornamentação está
impregnado um complexo jogo de interesses, daqueles que sempre estiveram
intimamente ligados às relações humanas. Em
Mariana uma sociedade queria nascer e conseguiu. Os sobrados, as
igrejas, as ruas, chafarizes, as montanhas perfuradas... São
testemunhas disso!
|