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Cachoeira não é apenas o maior distrito de Ouro
Preto. Seu passado de glória e acontecimentos importantes
o colocam definitivamente no cenário histórico de
Minas Gerais. A maior parte de seu acervo arquitetônico
já não existe mais, mesmo assim imponentes ruínas
e construções remanescentes resistem ao tempo, denunciando
a majestade de outrora.
Tantos interesses acabaram por transformar o arraial
em palco de importantes conflitos durante todo o séc. XVIII.
O primeiro foi a sangrenta Guerra dos Emboabas (1707-1709), envolvendo
paulistas e demais imigrantes. Ambos lutavam pelo controle das
minas. A revolta se espalhou por outros arraiais, mas devido a
sua projeção, Cachoeira testemunhou a batalha decisiva.
Manuel Nunes Viana, liderando os emboabas, levou a melhor. Foi
sagrado o primeiro governador de Minas, provavelmente na matriz
N. Sra. de Nazaré, em Cachoeira. Foi também o primeiro
a ser empossado nas Américas pela vontade do povo. Seu
intento, no entanto, não durou muito. Em vista do conflito
a Coroa determinou a criação da Província
de São Paulo e Minas de Ouro (1709). O capitão Antônio
de Albuquerque foi nomeado oficialmente governador e Mariana escolhida
como capital.



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Os ânimos voltaram a se acirrar alguns
anos depois, em 1720. Felipe dos Santos, minerador de Vila
Rica, liderou uma revolta contra a instalação
das Casas de Fundição e consequente recolhimento
pela Coroa de um quinto de todo o ouro extraído.
Era a Sedição de Vila Rica, que obtinha a
simpatia de várias camadas da população.
O episódio mais importante da revolta se deu na praça
da matriz, em Cachoeira do Campo: a prisão de Felipe
dos Santos, enquanto insurgia o povo. Foi condenado à
morte. Há controvérsias sobre sua execução:
enforcamento e esquartejamento ou se teve o corpo amarrado
a cavalos, que saíram em disparada estraçalhando-o.
Baseado nos acontecimentos o governador de Minas, o Conde
de Assumar, determinou o desmembramento da capitania em
duas. Estava criada a província de Minas Gerais.
Enquanto Vila Rica se transformava na capital
da nova província, Cachoeira do Campo se tornaria
a residência oficial do governador. Desta maneira
as decisões seriam tomadas com mais tranquilidade,
longe do fogo cruzado das opiniões vigentes na capital.
O palácio de campo do governador era uma construção
suntuosa. Relatos de época o descrevem como inigualável,
dotado dos mais valiosos requintes. O prédio lamentavelmente
não existe mais. A grandiosidade de suas ruínas
servem de testemunho daqueles tempos áureos.
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Interessantes fatos da Inconfidência Mineira
se deram em Cachoeira. O quartel da Cavalaria, onde trabalhava
Tiradentes, foi um importante reduto do movimento. De lá
sairia o batalhão que prenderia o governador, Visconde
de Barbacena, e tomaria o poder. O governador passava a maior
parte do tempo no palácio em Cachoeira. De uma das torres
da igreja N. Sra. das Dores - utilizada para alguns encontros
dos inconfidentes - era possível acompanhar toda a movimentação
externa do palácio, sem ser percebido. Não deu certo:
Joaquim Silvério dos Reis traiu a causa libertária.
Era o fim de um sonho, que renasceria 30 anos depois, com a Independência
do Brasil (1822).
Maiores informações sobre Cachoeira do Campo:
- Projeto Redescobrindo Cachoeira
- Responsáveis.: Rodrigo da Conceição Gomes - (0xx31) 9909-4106
Alex Fernandes Bohrer - (0xx31) 9117-1708
- E-mail: cachoeiradocampo@gmail.com
- Informações turísticas: AMIC - Associação Cultural Amigos de Cachoeira do Campo
- Tel: (0xx31) 3553-1631

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