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Spix e von Martius


Os naturalistas Johann Baptiste von Spix e Carl Friedrich Phillipp von Martius chegaram ao Brasil na segunda década do século XIX. A visita foi uma conseqüência indireta do contrato de casamento da arquiduquesa da Áustria, Dona Leopoldina, com D. Pedro de Alcântara, herdeiro da coroa portuguesa e primeiro imperador do Brasil.


Uma completa comitiva de estudiosos das mais variadas ciências naturais foi organizada. Dentre eles estavam Spix, zoólogo nascido em Höchstaedt (1781) e Martius, nascido em Erlangen (1794). Os dois vinham da Baviera, região hoje pertencente à Alemanha.

A chegada ao Rio de Janeiro se deu em 1817. Nos primeiros meses de sua estada exploraram as matas de Santa Tereza, Tijuca, Niterói e outras. Um ano depois se embrenharam pelo interior brasileiro, visitando São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas. A expedição durou quase três anos e foi realizada, na maior parte, em lombo de burros ou em canoas.

Quando retornaram à Europa, em 1820, Spix tinha 39 anos e Martius 26. Era hora de organizar todo o material coletado. Foi uma época de intensa produção intelectual, onde foram elaborados tratados e obras de Botânica, Taxonomia, fitogeografia, etnografia, lingüística, costumes indígenas e plantas medicinais. Martius confeccionou um detalhado mapa fitogeográfico do Brasil, que foi dividido em cinco províncias, de acordo com a vegetação que aqui encontrou: flora amazônica, região das caatingas, Mata Atlântica, cerrado e região das matas de araucária e dos campos do sul.

A Flora Brasiliensis, iniciativa de Martius e base para toda a Botânica Sistemática Brasileira, foi um árduo trabalho. Sessenta e seis anos foram necessários para sua conclusão, que contou com a colaboração de botânicos de diversos países. São 40 volumes, onde estão descritas 20.000 espécies, das quais 6.000 eram desconhecidas na época. Mais de 3.000 estampas ilustram a obra. Depois da morte de von Martius a direção da obra foi continuada por Urban, que a concluiu em 1906.

Fatos interessantes da expedição de Spix e von Martius são relatados na obra "Viagem pelo Brasil". A primeira edição foi originalmente publicada em Munique (Alemanha) em três volumes, nos anos de 1823, 1828 e 1831. Spix morreu logo após a publicação do primeiro volume, possivelmente de esquistossomose contraída anos antes no norte do Brasil.

"Viagem pelo Brasil" só seria publicada no país em 1916, mesmo assim sem sua integridade original. Algumas partes selecionadas foram separadas sob o título "Através da Bahia". A tradução integral do livro é de 1938, promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

A Estrada Real foi uma etapa importante da viagem de Spix e Martius: o trajeto entre Vila Rica, hoje Ouro Preto, e o Distrito Diamantino, sediado em Tijuco, hoje Diamantina. A cavalo e em lombo de burro, os dois naturalistas levaram 15 dias para percorrer os cerca de 400 quilômetros que separam as duas localidades.

* Informações tiradas do prefácio de Mário Guimarães Ferri, livro "Viagem pelo Brasil", de Spix e Martius (Editora Itatiaia).


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